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13.7.12

as palavras - composição do exame


Palavras, doces como o mel, duras como espadas. Palavras graciosas como aviões de papel que têm o coração como destino. Palavras, meras palavras? Não, nada disso. O poder das palavras é inabalável, grotesco, chega até a ser perigoso. As palavras fazem a guerra, as palavras fazem a paz, mas, no entanto, não passam disso, palavras! Conjuntos de letras aglomeradas, organizadas por alguém que não podia ver, ou que via bem demais...
Seria impossível um ser carregado de tamanha covardia como os humanos, sim, esses que se acham donos do céu e da terra, pudesse acarretar em si um valor tão dolorosamente belo como o das palavras!
Por isso fecharam-nas. Numa gaveta apertada fecharam as grandes obras e os pequenos sonetos, rasgaram as veias da poesia e arrancaram as raízes da prosa. Quais livros? Qual escrita?! Largámos o maior tesouro que nos foi cedido e para quê?! Para não estarmos mais de dez segundos a cruzar polegares num bloco eletrónico frio e sem vida?! Onde foi a paixão?! Em que mar a afogámos e lá deixámos? Em que gaveta trancámos a maior das belezas, em que baloiço molhado de chuva abandonámos o livro?! Sim, o livro, sabem do que falo. O livro que acendeu mil e dois sorrisos no rosto de quem deixou cair mil e três lágrimas. O livro que não nos permite saltar páginas mas nos deixa reler o que ficou para trás, o livro que arde no peito e gela as veias, um livro sem capítulos nem páginas contadas!
Seremos nós guerreiros fortes o suficiente para trazer de volta as palavras?

1.7.12

alone in the night


Comecei a escrever e apaguei as palavras como se as tentasse afastar. E de novo o fiz, e novamente. 
Perdi a conta às lágrimas que deixaram um rasto ardente na minha face pálida e não sei descrever a cor exata das meias luas debaixo dos meus olhos. Nos meus lábios são abertas fendas como em mármore antiga. As minhas pestanas encharcadas pressionam a minha pele com força tentando parar as cascatas que brotam dos meus olhos, nos quais reina a escuridão.
Quando a tua presença não se manifesta o meu corpo parece reduzir o seu tamanho, mas não o suficiente para poder esconder-me num cantinho qualquer. Desta dor, desta mágoa, da mão gigante que me espreme o coração, que o esmaga, que o rasga até ficar sem sangue. Então por que razão não morro? Que propósito pode ter a minha vida insignificante para não me deixarem encontrar a paz?
Os meus demónios interiores ganham forma e força e, desta vez, não estás aqui para os combater. Uma espada flamejante não pende nas tuas costas nem uma lança mortal reside nas tuas mãos. Não estás aqui, não queres estar aqui. Vagueias sem mim nesse teu mundo à parte ao qual um dia pertenci... No qual um dia me quiseste.
Quando fecho suavemente os olhos, no silêncio da noite, consigo voltar a sentir os teus beijos apaixonados. Consigo sentir de novo a força com que a tua boca saboreou a minha e o meu corpo foi esmagado contra o teu, consigo reviver todas as emoções que me fizeste sentir...
Mas sempre que voltar a abrir os olhos, nada se fará sentir que não a tua ausência. Então porque não fechá-los para sempre?

27.5.12

o sabor da depressão

Prometi ao meu frágil coração despedaçado não tocar com a tinta gasta da caneta neste assunto, mas a sede de palavras obrigaram-me a depositar os meus sentimentos na minha, tão antiga, paixão.



Como uma esponja negra encharcada de sangue, espremeste o orgão, que sempre bateu por ti, como quem tira a vida a uma criança indefesa. Cada som por ti proferido pairou no ar, repetiu-se mil e uma vezes e deixou o eco a orbitar a minha mente.
O meu rosto, mais pálido do que mármore, deixa-se queimar pelas lágrimas que me escorrem na face. Sinto a pele desfazer-se e deixar transparecer quem realmente sou. Quem sempre fui e tentei esconder atrás de mil e um sorrisos, no medo a que este meu "eu" se revelasse no brilho do meu olhar. 
Enrolada no meu próprio corpo desprezível, sinto as palavras fluirem, arranhando as paredes do meu coração e arracando a pele de meu peito. As palavras doces e escorregadias como caramelo derretido, que me aqueciam o corpo da cabeça aos pés, transformaram-se em pregos negros e afiados, escuros e frios, que se espetam no peito com força, certeiros, e lá ficam a penetrar a minha carne. Toda eu sou dor e trevas, escuridão, morte. Toda eu estou envolvida numa aura negra como a noite, nem por isso minimamente bela, que me seca as células e extorce delas toda a vida. Não, não toda, tem o cuidado de deixar alguma para que continue a sofrer, para que a dor continue a torturar-me. Pior que doze meses sem sentir os olhos fecharem-se em descanso, pior que doze anos sem sentir o paladar de um alimento, pior que doze décadas sem uma gota do líquido transparente pelo qual matam e morrem . Pior que tudo o que alguma vez tive o desprazer de sentir, e já senti muita coisa.
Sozinha na imensidão do nada, devastada por memórias e ilusões, continuo à espera do que nunca acontecerá.

12.5.12

lost inside myself


Caminho apressada por um caminho escuro e estreito enquanto o terrificante Mundo das Sombras me tenta sugar para uma distinta realidade, no entanto, tão próxima. 
Arrasto, com as forças que ainda não me abandonaram (ao contrário de todos os que um dia me prometeram a eternidade) o manto por mim costurado, com a seda das ilusões, o algodão do desespero e a lã - sabem, aquela lã que nos pica a pele, mas nos aquece o corpo? - dos vícios, cozido com uma agulha fina de ponta redonda e fio de açúcar em pó.
Arrasto o peso que carrego com a repulsa que sinto a fazê-lo escorregar das minhas costas. Uma nuvem cobre-me o corpo em que fui presa injustamente.
Eu não pedi este sofrimento constante nem este coração maltratado. Não pedi ser um feto no colo de uma mulher que nunca me quis. Não pedi ser a rapariga que todos odeiam incluindo ela mesma, não pedi nenhuma das cicatrizes no meu corpo enfraquecido. Não, eu não pedi ter nascido. Agora só uma coisa peço e só uma coisa quero, só há uma coisa que busco, o fim, talvez o início, o nada.
Arrasto-me por um mundo que não é o meu e lágrimas cortam-me o rosto. Mais afiadas do que as minhas próprias lágrimas, atormentam-me e aprisionam-me no ser desprezível que sou e nunca deixarei de ser.
E ao chegar ao fim, ao precipício porque tanto lutei, ao fosso sem fundo, ao poço escuro no qual expulsarei do meu organismo o último suspiro de vida... Quando chegar ao fim... Interrogar-me-ei porque razão a idiotice das pessoas é tão acentuada que chegam a inquirir-me se pensaria duas vezes.

25.4.12

nightmares


Meus pés frios dançam ao sabor do sonho quando sou brutalmente interrompida por algo terrível ao qual gosto de chamar realidade.
Lentamente é movida a minha nuca pelo medo congelante da solidão. Mas não, não tardo em notar a tua ausência angustiante. Não tardo a estender o meu corpo na metade da cama onde pertences e a soltar um suspiro desesperado, assim como uma lágrima, que o acompanha. Um furacão envolve o meu corpo fraco, furacão frio, que chegava a fazer-me acreditar que os ventos do Norte e do Sul, tão antigos inimigos como os Anjos e Demónios, se uniram para me derrotarem nesta sensação avassaladora e gélida.
É difícil que as Sombras vagueantes, saídas do esconderijo durante os meus sonhos, voltem à escuridão antes que as vislumbre e me encha de arrepios incontroláveis. É difícil controlar o medo, as Vozes. E tão obscuras são elas, tão autoritárias e cativantes que tenho de cerrar os olhos com todas as minhas forças.
Regresso à berma da cama e encolho as pernas de tal forma que me tocam e fico totalmente dobrada sobre mim mesma. Rodeando o corpo com os braços e beijando uma última vez o teu retrato, na minha mesinha de cabeceira, adormeço condenada a pesadelos eternos nos quais reinam a solidão e a saudade.


20.4.12

amargo vício

 

A correria desenfreada que me faz percorrer o corredor leva-me a tropeçar nos meus próprios pés desajeitados. O desespero possui todo o meu corpo e os meus músculos são comandados a fazer uma e só uma coisa: obter aquele pedaço de metal.
Quando num mero objeto escolar encontro o que desejo, destruí-lo torna-se fácil e rapidamente me encontro a segurar entre os meus dedos, tão magros e frios, uma forma retangular, afiada ao longo do seu comprimento, com um dos cantos arredondados. Meros pormenores que ficam na nossa mente cravados como Excalibur se encontrava presa na sua rocha, firme, sólida. Mas compararmos a nossa mente a algo sólido é uma estúpida enganação, é atrevermo-nos a proferir que o mar é amarelo e que os pássaros têm braços.
O meu reflexo surge na pequena forma espelhada e os meus traços encontram-se firmes, serenos, sem qualquer registo de sentimento identificável. Vazia, não sinto, não vejo, não ouço. Encosto apenas a minha eterna desgraça à pele e sinto o fio da lâmina gélida deixar uma marca reta e pequena na minha coxa. 
O primeiro é sempre o mais doloroso. À medida que vou respirando, deixo de sentir dor, e o sangue que forma pequenas bolhas nos cortes frescos fascina-me. Toco-o, espalho-o, sinto o seu sabor. Sabor tão salgado de incertezas e ilusões, de mentiras, de frio, de morte. 
À medida que as marcas se alastram na minha pele perco a noção do que é certo e errado, perco o bom senso e nem por isso me importo. De que vale preocupar-me, afinal?
Sinto a dor que jorra de dentro de mim tornar-se cada vez maior, e vou mais fundo, castigando-me por habitar o corpo de um ser tão meramente desprezível e achar que neste mundo existe espaço para uma alma tão facilmente substituível. 
Com os dedos encarnados e a pele ardente, vislumbro o meu rosto seco no espelho do meu quarto e só então noto que nem uma lágrima fora derramada quando o vício se apoderou de mim.

5.4.12

ugly


Estou tão cansada da imagem que o espelho me devolve quando o olho. Estou tão cansada da repugnância que sinto quando me vejo refletida em qualquer superfície - no computador quando estou em chamadas de vídeo, num vidro no qual descem gotas de chuva apressadas, numa piscina de água de um azul quase transparente que ondula como os meus pensamentos ao ver-me - que o meu sorriso, se existir, é-me brutalmente arrancado da face e atirado para longe, para tão longe que já não o consigo ver. E depois perguntam-me o que se passa, se fizeram algo para me deixar assim, tão triste e distante, procurando o meu sorriso. Claro, pois. Eu, como egoísta e estúpida criança que sou, não podia ser infeliz sem atrair mais pessoas para a onda negra que as trevas lançam sobre mim e na qual me afogo.
Estou legitimamente cansada de não ter a liberdade de fazer o que gosto sem ser invadida por esta infelicidade, porquê? Porque para onde quer que olhe, tudo o que vejo é beleza, tudo o que vejo é aquela ideia de perfeição que uns admiram, outros tentam alcançar. Confiança, beleza, formas. Sinto a necessidade de baixar a cabeça, frustrada, magoada. 
Esta face persegue-me, este corpo assombra-me. Estes olhos escuros como a noite, boca seca como um deserto, estas mãos frias e braços magros, esta pele áspera e este formato que ninguém desejaria observar, muito menos possuir.
Estou cansada de ver beleza em tudo, exceto em mim.

29.3.12

note to self


 Parva, ingénua criança, caíste outra vez. Quantas mais vezes precisarás de ser magoada até que aprendas a não confiar em ninguém?!
Este mundo, meu tesouro, não é para ti. Não mereces uma única batida do teu frágil coração, não mereces nem uma golfada de ar que os teus pulmões respiram. Essas tuas mãos gélidas não merecem tocar as flores suaves e delicadas que este mundo oferece, a tua boca amarga não merece saborear os doces frutos que crescem nas nuvens e a tua expressão horrenda não merece ser vislumbrada.
Mas se te foi concedido este dom de puderes pousar os teus pés nesta relva fofa e alegre, porque continuas a transformar essa relva em espadas metálicas que te atravessam a pele, estúpida mortal?!
Ah. Fazes-me suspirar de revolta quando te vejo refletida no espelho. Fazes-me querer magoar-te, castigar-te por te fazeres isso, por nos fazeres isto, por seres tu e não me deixares ser eu!
Obscenos títulos te atribuo na minha mente enquanto penso em como libertar-me deste corpo desfigurado que odeio com todas as forças. Não pertenço neste ser esperançoso de um mundo melhor, de uma vida maravilhosa cheia de flores e borboletas...
Não vai acontecer! Como te atreves, como te atreves, depois de tudo a que te submeteste, depois de tudo o que fizeste a ti mesma, como te atreves em pensar sequer em ser feliz? Como confias numa pessoa, como deixas que te magoem outra vez?
Espero que caias no abismo de uma vez, porque se não me podes libertar, pelo menos mata-me neste momento, enquanto não te possuo e altero por completo o mundo que conheces.
Inês (II)

1.1.12

"ano novo, vida nova" o crlh


Vou continuar a ser a mesma parvalhona de sempre. Vou continuar a dizer tudo o que me vem à cabeça sem me importar com o que possam dizer sobre mim. Vou continuar a sofrer por quem não merece ver-me sofrer. Lágrimas continuarão a brotar dos meus olhos escuros, e feridas continuarão a ser abertas na minha alma escura. As trevas em que vivo continuarão a consumir-me e os meus pensamentos mais escuros não terão descanso. Vou continuar a ter a mesma opinião a meu respeito... e a respeito de tantas outras coisas! 2012 vai ser outro ano cheio de desilusões, promessas não cumpridas, caixas de chocolate vazias e corações partidos. Vai ser outro ano com momentos maus, piores do que os que vivi em 2011. Mas não quer dizer que este ano se vá resumir a isto. Acredito que serei feliz, embora a felicidade tenha sempre os momentos contados, e tenha de ser aproveitada antes da chegada de um tsunami de tristezas e mágoas. Pode ser melhor, pode ser pior, mas concerteza os meus sentimentos não serão alterados da mesma maneira que a data. Não, eu continuarei a ser eu, e tu continuarás a ser tu. O meu palerma, o meu birrento, estúpido e infantil tu. E por mais que eu quisesse, não te poderia tirar da cabeça. Só te peço que não deixes 2012 afundar-me na morte tenebrosa e silenciosa do meu coração, e da minha mente. Só te peço, por favor, não nos deixes cometer os mesmos erros.
Vou agarrar as minhas ideias, os meus sentimentos e os meus pensamentos e vou começar de novo. Não vou mudar nada em mim, nem vou mudar nada em ti: vou mudar apenas, a minha maneira de fazer as coisas. Vou escrever outro capítulo: um dos intermináveis capítulos da história da minha vida. E, se sentes o que me dizes sentir, vais ajudar-me a colorir as gravuras que darão vida à minha história, e vais ajudar-me a vivê-la, dia após dia, momento após momento. E é isso que eu faço: vivo. E não vou parar de viver porque uma ou outra coisa corre mal. Não deixarei de acreditar.