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4.6.13

tatuagens


Pensei tatuar o teu nome; em homenagem às vezes em que
No pulso o escrevi.
Talvez tivesse pensado que isso demonstrava
O quanto eu gostava de ti...

Pensei tatuar o teu rosto; para lembrar as alturas em que
Vê-lo era tudo o que desejava.
Talvez pensasse que isso demonstrava
O quanto eu te adorava...

Pensei tatuar a nossa história; para recordar as vezes...
As vezes...!
Quantas vezes?!
Ódio e paixão, raiva e carinho, relutância e fervor...
Tudo o que fiz, foi para te mostrar o meu amor.

Mas a minha pele não chega para contar
A nossa história.
Embora eu pensasse - naquele tempo - que amar
Não tinha fim.


Enganei-me, porém,
Apercebi-me disso apenas quando me banhaste com desdém
E deixaste em mim apenas
Tatuagens.

17.4.13

só mais uma vez

Toda tu és brilho.
Ofuscas por quem passas, 
Por mais beleza que possua.
Porque possuis mais que beleza,
E mesmo na mais profunda tristeza
Os teus olhos sorriem,
Sorriem como puros que são,
Olhos sem maldade
Nem falsidade.
São olhos de uma vida,
De um barco à deriva,
De uma amiga,
Calma mas destrutiva
Só para si mesma.
Mas não te magoes.
Nem mesmo só mais uma
Vez.

Bebi o veneno 
Que transportas
No teu ser.
Bebi para não te ver morrer.
Porque nenhuma dor se assemelha
À de te ver partir.
Fica,
Porque o mundo sem ti ruirá.
Sem a tua alegria cá
Nunca mais irá o sol aparecer.
Fica,
Porque te quero ver...
Nem que seja só mais uma
Vez.

Dá-me a tua dor
Porque já não te posso ver sofrer.
Prefiro morrer,
Entregar-me às trevas, desaparecer,
E procurar-te por lá,
Na vaga esperança
De te encontrar,
De te abraçar
E de te trazer para casa.
Para onde pertences,
Meu anjo,
E se isso acontecer,
Brilharás um pouco mais
Enriquecida de experiência
E cegar-me-ás, mas 
Só mais uma 
Vez.

1.4.13

escuros lápis de cor

Sorrisos e traços numa folha
preta de limpa
branca de suja
Suja com falsa pureza
Limpa com verdadeiro azedume
todo ele dotado de beleza

Gargalhadas e desenhos num papel
amarrotado de seco
liso de encharcado
Seco com lágrimas pesadas
Encharcado com crianças embaladas
por mentiras e emoções falsificadas

Amor e pinturas numa tela
cheia de nada
vazia de tudo
Nada com o colorido que nego
Tudo com as cores de um fogo
apenas vistas pelo maior cego


25.2.13

wind

I remember
when I was younger
hearing my parents fight
about everything
or nothing
at all

I remember my little slide
and the pink flute
I once hit my brother with

I remember the rabbits
and the chickens
and the colours of a rainbow
I wanted to reach

Above it all
I remember the innocence
I carried
that we all did
In our smiles and laughs
and bruises and scars
and screams of joy

I try not to forget
I beg the wind not to take it away
for the memories not to fade

But maybe
they already
did

and this is nothing but an illusion
of a dead girl's
past

21.12.12

partiste


És uma lágrima derramada
És tudo e és nada
És a história incabada,
A mentira que não foi contada
Mas ainda vives em mim

E procuro-te
sem te querer encontrar
E navego no mar 
de memórias
com medo de me afogar
E sonho contigo
quando só quero acordar
E amo-te
quando te devia odiar

Tudo o que vem
Vai
E tudo volta
Mas tu não voltaste
E ficaste
nas sombras do nada
Como uma história inacabada
E uma mentira
que nunca foi contada

6.7.12

if i killed myself tonight

 If I killed myself tonight
Would you think it's all your fault?
Would you hold my dead body,
And apologize to my dead soul?

If my breath died in my throat,
If my brain finally collapsed
Would you lay down by my side,
Would you forget about the past?

Make my wishes be ignored:
If my cold body was buried
Would you put flowers on my grave,
One for every year I lived?

And make my wishes be attended:
If my ashes flew away,
Would you run after the wind,
Would you try to hold me back?

What if my ashes kept on flying
And ended drowning in the sea?
Would you follow them, still,
Would you risk your life for me?

If I kill myself tonight,
And do not be but sincere,
Will you say you love me back,
Or will you only shed a tear? 


27.6.12

rimas quebradas

Sinto o frio no pulso.
Tenho a morte na mão.
Sou rainha do gelo,
Quente como o verão
Desisti de tentar,
Do sonho de viver.
Deixei de orar
Quando vim a perder
O meu céu e o meu ar.

Sinto a chama no peito.
Tenho o gelo no olhar.
Sou doce como as nuvens,
Salgada como o mar.
Jurei a eternidade
A quem não me deu se não fins.
Amei intensamente,
Perdoei cegamente,
E em teus braços me perdi.

Sinto a melodia nos membros.
Tenho a música na alma.
Sou harmoniosa pianista,
Dispensável artista.
Cantei ao som da vida
Até a voz me morrer.
Toquei incansavelmente
Para, no princípio do fim,
Me cortarem as cordas e o som.

Sinto a tortura agonizante.
Tenho a caneta entre os dedos.
Sou, fui ou já fora
Poeta, atriz e escritora,
Dona de uma alma quebrada.
Mil rios de sangue chorei,
Os céus e a terra amaldiçoei.
A voz faltou-me, mas gritei,
Até que caí, exausta e vazia.

6.5.12

metades

 
Um toque suave,
Uma forma de vida,
Movimentos viciantes,
Almas à deriva.
Diferenças cativantes,
Olhares maliciosos,
Abraços amorosos,
Beijos escaldantes.

Um doce arco de inúmeros sentimentos,
Duas almas carregadas de incontáveis pensamentos,
Partilhados à lareira, à luz do luar,
Tão leves como o vento vemo-los flutuar.

Somos uma alma,
Um pedaço de ser.
Algo que não quiseram,
Ou algo que não quisémos ver 

Somos um barco à deriva separado num oceano vazio,
Somos um poema escrito que vive num coração frio,
Somos uma música cantada por quem não sabia a letra,
Uma doce melodia, uma suave tentação,
Que se divide em mil pétalas no espaço, na imensidão.

14.4.12

let me die


Ela caminha nos seus saltos como uma donzela,
por onde passa é chamada de Cinderela.
Pouco sabem eles que não passa de Gata Borralheira
que leva, na imundice da sociedade traiçoeira,
uma vida supérfula de pesadelos que não acabam,
de noites em branco, de lugares vazios,
de caminhos em vão percorridos
porque ao tentar escapar, 
ao início não pode evitar regressar.

Um sorriso está no seu rosto tatuado,
eternamente fingido, eternamente forçado.
Que falsa felicidade reina em sua face,
que real agonia explode em seu peito,
destacando de seu corpo cada defeito.
Princesa fingidora, deusa mentirosa,
monstro destruidor de esperanças sem fundamento.
O que fazer? A quem recorrer?
Quando ninguém conhece realmente o seu sofrimento...

Doce Bela Adormecida,
patética demonstração de vida.
Que ser tão profundamente desajustado,
que universo tão estranhamente alterado,
que vida tão cheia de mentiras,
que figura triste, sozinha ao relento.
Eles olham-na mas a realidade é inacreditável:
pois o que ela mais deseja é o salvamento,
antes do fim, cruel e inevitável.


18.3.12

querida morte,

Morte,
áspera rosa encantada,
negra e azeda tentação,
terrível vontade de paixão.

Morte,
doce flor escondida
cujos espinhos me chamam,
cujas pétalas enganam.

Morte,
azeda planta zelada,
dois carinhos no rosto,
no coração uma espada.

Porque me chamas, morte?
O que queres de mim?
Porque me fazes doer a alma,
Morte, porque me tratas assim?

És escura como a noite,
pura como a respiração.
És desejo incontestável
como a maçã de Adão.

Morte,
alívio eterno da dor...
Possui-me, Morte,
quero sentir teu sabor.