Não tenho tido vontade de escrever. Ou melhor, vontade tenho, mas faltam-me as palavras. A minha mente anda confusa e o meu coração abalado, os pensamentos que pensei poderem ser organizados com o tempo apenas se misturaram no remoinho da tua passagem. Tento procurar destinatários diferentes para as cartas que me saem a voar da ponta dos dedos mas a verdade é que continuas a ser a minha única razão de escrever, o meu anjo caído, aquele que não voltou. Pensei que sempre voltasses, mas afinal eu é que sempre te persegui, e quando deixei de ter condições de sofrer, perdi-te, e perdi-me contigo. Tentei deixar-te suterrado com as memórias no ano que passou, tentei pôr uma pedra pesada por cima do sentimento que ainda me fazes sentir, mas como se mata todo este amor de um momento para o outro? No entanto já não te sinto comigo, sei que partiste, é tão certo como a dor que me provocas na alma, e a agonia toma conta de mim quando a ignorância faz o mesmo. Porque ignoro o teu paradeiro, não sei como te sentes, como vai a tua vida agora sem mim. Por muito que não queira tenho-te no pensamento nas noites em que estou sozinha, nas noites em que não tenho o meu Amor a proteger-me. Sim, porque encontrei um príncipe só meu, tu sabes, e tenho a certeza que sentes um ódio fogoso por nós, mas não faz mal. Perdoo-te, porque te conheço, porque te amei com tudo o que tive. Porque sei que pensas em mim quando olhas para a lua cheia, sentes-me no teu coração, onde sempre estarei, um amor como o nosso não morre. Desvanesce, mas não morre, fica sempre, como uma cicatriz de uma batalha perdida, orgulho de dois guerreiros que provavelmente, um dia, não passarão de estranhos, que pensaram que o eterno duraria eternamente.
5.1.13
22.12.12
amo-te e...
A esses teus olhos brilhantes. À tua pele quente. Às mãos macias e dedos de pianista. Aos braços que me apertam e ao peso que me sufoca. À tua voz. Ao mel que trazes nela. Ao carinho com que me olhas. Ao teu nariz. Aos teus lábios doces. Ao teu sorriso tão belo e às covinhas nas bochechas. À barba por fazer. A cada sinal no teu corpo. Às palavras e ações. Ao amor que me entregas e à felicidade. À felicidade que tento devolver. Ao modo como me levantas no meio de um abraço. Às gargalhadas agudas. À respiração apertada. Ao bater do teu coração. Ao teu cheiro. Ao ar que respiras. À vida que trazes em ti. À tua alma. À canção que surge quando avanças para mim. Às folhas pontapeadas por distração quando andamos de mãos dadas. Aos beijos no pescoço. Às carícias na face. À tua cabeça no meu ombro e à minha no teu colo. Às estrelas por cima de nós. À chuva nos nossos rostos. Ao Outono que se foi. À música que não tocou. Às memórias que criamos e aos tempos que ainda vou passar contigo. E, quem sabe? Talvez sejam eternos.
21.12.12
go away
Desgastas-me. Voltas para mim sem prévio aviso e eu, tola, arco com as consequências da tua vinda. És como um elástico: estico-te para longe, longe, cada vez mais longe, e quando penso que te esqueci és largado e embates em mim com mais força do que eu pensara possível. Desta vez devo ter esticado mais do que o habitual, porque nunca tinha doído tanto, não desde que estou com ele. E não entendo o porquê. Não foi uma foto nem um vídeo, nem uma palavra nem um texto. Simplesmente voltaste, como as andorinhas voltam para a Primavera quando esta regressa, mas tu não vieste na tua altura, e tu não estás cá. És a dor constante e o medo que me sufoca, és lágrimas derramadas no silêncio das noites mais frias de dezembro. Sou iludida pelo coração que me bate no peito, destroçado por ti. Quem te deu o direito de o tomares como um ponto de passagem? Vais e vens, ao sabor do vento: ficas apenas tempo suficiente para me magoar e vais tempo suficiente para um esquecimento ilusório. Deixas só lágrimas salgadas e soluços interrompidos. Já não sei quem és, mas sei quem foste, e sei que te amei como sei que te amo. Sei que não te esqueço como pensei estar a esquecer e que ainda ocupas o meu pensamento. Constantemente. Sem querer. Mas eu tento afastar-te outra vez, até ao dia em que não voltes a mim. Até só me restarem as memórias; de como foste tão meu, de como eu fui só tua.
partiste
És uma lágrima derramada
És tudo e és nada
És a história incabada,
A mentira que não foi contada
Mas ainda vives em mim
E procuro-te
sem te querer encontrar
E navego no mar
de memórias
com medo de me afogar
E sonho contigo
quando só quero acordar
E amo-te
quando te devia odiar
Tudo o que vem
Vai
E tudo volta
Mas tu não voltaste
E ficaste
nas sombras do nada
Como uma história inacabada
E uma mentira
que nunca foi contada
11.12.12
meu amor
És chá de menta e os croissants folhados recheados de creme com os quais ainda me hei-de deliciar em Paris. És chocolate quente num copo de cartão com corações desenhados e és o calor do meu Inverno. És a lareira, o cobertor e as luvas. Confortas-me como um abraço há muito esperado que parecia não vir e quando não estás deixas um vazio em mim. És os beijos trocados por um casal de apaixonados e o chilrear dos pássaros pela manhã. És as primeiras borboletas da Primavera. És o que eu nunca tive e sempre sonhei ter. És uma caixa de chocolates com recheio de caramelo, és a música que canto e não me sai da cabeça. És os vidros embaciados e uma canção de embalar. És a almofada que abraço, o som que sufoco e o grito. És o grito. Que explode na minha garganta e voa livre no céu frio. És a gargalhada infantil que me provocas. És a doçura do açúcar que trazes nos lábios. És os arrepios que o teu toque me causa. És lágrimas de felicidade e olhares cúmplices. És amor, paixão, carinho, amizade, alegria, felicidade e euforia.
E és o amarelo da flor que sobreviveu ao frio do Outono.
10.12.12
dei-te o melhor de mim
Estou deitada na cama sem poder mexer o corpo que é meu, a minha mente vagueia pelos lugares mais sombrios que tentei enterrar sob areias movediças. As paredes do meu quarto fecham-se sobre mim com palavras pintadas nelas, grandes e pequenas, inconstantes, com tinta preta. Palavras essas que narram uma só história, tu sabes qual, a nossa. A história que levamos mais de dois anos a escrever, tinta da china e pena branca no papel que não sobreviveu às lágrimas derramadas sobre ele. Um momento e tudo regressa, sou envolta em ondas de sentimentos antigos que não me deixaram, não me deixaste. Ainda vives em mim, e preferes deixar-me só na confusão de emoções incompletas, palavras inacabadas, que voltares-me a dirigir a palavra, será mesmo melhor assim? Destroça-me o coração. Como podem duas pessoas amar tanto e tão intensamente, construir muralhas em volta de um sentimento tão grandioso e depois tornarem-se completos estranhos?
Interrogo-me no que farias se passasses por mim na rua. Se os teus olhos voltarem a cruzar os meus, se voltares a sentir o meu aroma, se voltares a vislumbrar a imagem daquela que foi só tua, pele pálida e fria, olhos escuros e lábios secos, o que sentirás? Nada, ou tudo, alguma coisa? Rolar-te-á uma lágrima no rosto ao sentires a perda, ou já perdeste todo e qualquer amor que outrora sentiste por mim? Porque é mais que óbvio que o mesmo não aconteceu comigo.
Não te quero de volta, coração, ou pelo menos tento não te querer. Voltei a amar, mas não te esqueço. Guardo-te em mim como um medalhão banhado a ouro numa caixa em forma de coração.
Porque o primeiro amor nunca se esquece.
1.12.12
eras o meu outono
Eras o calor nas minhas faces nas noites mais quentes, eras o frio nos meus pés nas tardes mais gélidas. Eras o orvalho que escorria nos trevos de quatro folhas, eras o sol refletido nas tábuas saídas e telhas partidas. Eras o cheiro da relva acabada de cortar, eras o sabor dos primeiros flocos de neve. E eras a força da chuva. Eras a graça do sol. E a dança do vento com as folhas amarelas, vermelhas, rosadas e castanhas. Eras uma palete com todas as cores, e eu pintava com os dedos nas paredes brancas do meu coração. Eras amor e eras ódio. Eras a luz e as trevas. Eras fogo e eras gelo, eras tudo e eras nada, o concreto e o abstrato, o impossível.
Mas eras sempre muito, e nunca foste pouco.
Foste a chuva quente de julho e o sol a espreitar no céu de fevereiro. Foste o chocolate quente nas mãos e o chá gelado nos lábios. Foste o cheiro das primeiras flores de uma nova primavera, foste os ramos despidos a abanar ao vento. Foste acordes e notas da música mais bela, e eu dançava em bicos de pés. E foste a luz pálida da manhã. Foste as estrelas na noite escura. Foste o desejo que não se realizou e a carta que não recebi. E foste a dor. Foste a dor constante e foste lapsos de alegria que pareciam não passar de ilusões. Foste o sim e o não. Foste o talvez.
Mas foste sempre muito, e nunca serás pouco.
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