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28.7.13

numb


Tentar escrever sem vontade é um erro. Mas pior do que isso é encontrar a vontade e não as palavras certas para passar o que sinto para o papel. A tinta da caneta teima em acabar, como que a dizer-me para desistir. Na verdade, tudo me diz para desistir. Está escrito nas paredes, nas nuvens e nas pessoas. E, sobretudo, em mim. Letras gordas e carregadas na minha pele como cicatrizes. e o mais incompreensível disto é o facto de só eu as conseguir ver, preto no branco, mas ao mesmo tempo tão desfocadas que me impedem de ter a certeza do que lá está escrito. E é por isso que as ignoro. É por isso que continuo a dizer, dia após dia, que estou melhor assim. Que não falta nada, quando, claramente, falta tudo. Tudo o que importa, pelo menos. 
Sabias que já não consigo chorar? Por mais que tente, as lágrimas não saem. É só quando penso em ti e te dirijo o meu coração que elas começam a cair. Com que direito te apoderaste dos meus olhos, duas luas cheias escuras como o céu que as carrega? Com que direito me fazes crer que eras o melhor de mim? Nunca o foste, coração. Oh, coração, esse que me partiste tantas vezes. Agora não pode ser quebrado, sabes? Não podem quebrar um coração que não bate. Porque ele bateu só por ti. Quando me pisam não dói e quando caio não sofro. Sou constantemente empurrada de um lado para o outro como um jogo de espirobol. E cheguei ao ponto em que já não existe mais corda a separar a bola do poste. Cheguei ao ponto em que posso enfrentar a situação ou deixar que a corda se desenrole e comece tudo de novo. E agora tento encontrar dentro de mim outras formas de amar, mas não consigo. A culpa é minha? Tua? Dele? Ou acontecerão as coisas realmente por um propósito? 
Mas que propósito me privaria de sentir tanto para passar a não sentir nada?

3.3.13

run


Preciso de fugir. Correr para onde ninguém saiba o meu nome, sem bagagem desnecessária, uma mão cheia de nada. Partir para longe em direção ao vazio, de olhos fechados e cabelos ao vento, só contigo, meu doce.
Só preciso de ti e do teu amor, do coração que é tão meu, e logo eu que sou tão tua. Teus beijos doces e mãos suaves entrelaçadas nas minhas, um calor que me desperta e olhar que me atrai, e todo tu me apaixonas, fazes-me cair como uma tola, e tão tola sou por ti. Estou apaixonada, sou apaixonada, então não me deixes. Protege-me na dúvida, abraça-me na mágoa, preenche as fendas do meu coração com carinho e vamos queimar o tempo com um isqueiro cor de rosa, a cor das paredes dos sonhos. Vamos pintar o futuro com as tintas do passado, deixemos para trás os tubos de guache secos e acabados, ajuda-me a fazer uma cor só nossa, mistura do teu sorriso com o meu e mais algumas flores que encontramos no caminho, será que faz algum sentido?
Mas para que raio preciso de sentido, quando te tenho a ti, e a uma mão cheia de nada?

30.1.13

gosto de ti


Gosto dos teus casacos. E das tuas camisolas, das roxas, até das que me picam a face quando me deito sobre o teu peito. És quentinho. Os teus abraços confortam-me e os teus beijos tranquilizam-me. Por mais perdida que esteja, encontro-me sempre quando estou contigo. Sou eu. E tu és tu, e és tão meu. E eu adoro. E eu amo. Como te amo a ti e ao teu sorriso brilhante, e aos teus olhos flamejantes. E aos teus lábios escaldantes. Como te amo a ti por completo, cada célula do teu ser, que se funde comigo quando me apertas a mão. 
Transformo-me em poeta e o teu corpo é meu caderno, os meus dedos a caneta. Sou pintora e o teu rosto é a minha tela, os meus lábios os pinceis. Pinto com as cores do teu sorriso, e tão belas que elas são, as mais belas que já vi. Iluminaram-me o caminho que há tanto não passava de escuridão.
És muralhas altas em meu redor e proteges-me o coração. És tanto de mim e eu sou tanto de ti. Somos duas metades de um todo, oh, e como eu gosto do resultado. Mais do que isso, só de ti. De ti, e dos teus olhos castanhos. Como as folhas que o inverno não limpou...
Estás aqui. Estás tão presente e não vais embora, e a segurança que me transmites causa uma alegria de tal forma descontrolada, em mim, que penso ter ficado louca. Mas não estou louca. Só apaixonada. 
Pensando melhor, qual é a diferença?

13.1.13

home is where the heart is


Hoje o céu assemelha-se a ti. Não há uma nuvem que ofusque o brilho das imensas estrelas que o salpicam e a lua em quarto crescente tem em sua volta uma circunferência de luz. Olhei-o e lembrei-me de ti, com o frio a chicotear-me o corpo, o gelo a cortar-me o rosto e a noite a esbofetiar-me as faces. Mas não senti nada, na altura, porque um outro sentimento apoderava-se do meu corpo, sentimenso esse mais forte que a dor, mas que rima com a mesma, e que eu sinto tanto por ti. Sentimento com o qual me preenches entre beijos e carícias. Porque nessa altura eu corria para ti, como corro a cada segundo da minha vida, de volta a teus braços e ao teu amor, a minha verdadeira casa, onde eu pertenço e sempre deveria ter estado, e tanto desejo estar sempre. 
Escrevo-te bilhetes sem sentido, rabisco em cantos de folhas às linhas e guardo tudo, fecho-os em garrafas e lanço-os ao mar que é só nosso, para que se percam como nós nos perdemos com suspiros e silêncios, não de constrangimento, mas o silêncio confortável que toma o ar quando nada mais precisa de ser dito.
Quero-te tanto.

6.1.13

somos amor


Aqueces-me o coração quando me beijas a testa ou seguras as mão. Todo tu és calor mesmo nos dias mais frios, aquecido pelo fogo da paixão que alimentamos. Somos postais de verão e flocos de neve. Somos amor. Somos beijos apaixonados e toques desejados, carícias arrepiantes e sonhos não contados. Somos doçura. Chocolate derretido salpicado de avelãs. Somos tudo e nada importa, quando nos envolvemos, abraços apertados no meio de uma multidão invejosa por um amor como o nosso. És o riso e as palavras, e estás perto, mesmo longe. Somos a melodia mais bela que os teus dedos criam ao dançarem nas teclas. 
Fazes-me feliz. A felicidade trocou de lugar com a dor, que costumava ser a minha casa. Agora sorrio com vontade e as covinhas no meu queixo voltam a aparecer quando te vejo aproximares-te. Faz-me feliz, a forma como me olhas, e como és tão belo. És a coisa mais bonita que possuo e que não quero perder. Tens os olhos de um sonhador e lábios de conquistador, tens música em todo o teu ser e uma aura de amor rodeia-te e envolve-me quando me tocas. Ou quando me falas. Ou quando me tens, seja de que maneira fôr. 
És tão meu como eu sou tua e eu não podia pedir melhor.
Amo-te muito.

22.12.12

amo-te e...


A esses teus olhos brilhantes. À tua pele quente. Às mãos macias e dedos de pianista. Aos braços que me apertam e ao peso que me sufoca. À tua voz. Ao mel que trazes nela. Ao carinho com que me olhas. Ao teu nariz. Aos teus lábios doces. Ao teu sorriso tão belo e às covinhas nas bochechas. À barba por fazer. A cada sinal no teu corpo. Às palavras e ações. Ao amor que me entregas e à felicidade. À felicidade que tento devolver. Ao modo como me levantas no meio de um abraço. Às gargalhadas agudas. À respiração apertada. Ao bater do teu coração. Ao teu cheiro. Ao ar que respiras. À vida que trazes em ti. À tua alma. À canção que surge quando avanças para mim. Às folhas pontapeadas por distração quando andamos de mãos dadas. Aos beijos no pescoço. Às carícias na face. À tua cabeça no meu ombro e à minha no teu colo. Às estrelas por cima de nós. À chuva nos nossos rostos. Ao Outono que se foi. À música que não tocou. Às memórias que criamos e aos tempos que ainda vou passar contigo. E, quem sabe? Talvez sejam eternos.

11.12.12

meu amor


És chá de menta e os croissants folhados recheados de creme com os quais ainda me hei-de deliciar em Paris. És chocolate quente num copo de cartão com corações desenhados e és o calor do meu Inverno. És a lareira, o cobertor e as luvas. Confortas-me como um abraço há muito esperado que parecia não vir e quando não estás deixas um vazio em mim. És os beijos trocados por um casal de apaixonados e o chilrear dos pássaros pela manhã. És as primeiras borboletas da Primavera. És o que eu nunca tive e sempre sonhei ter. És uma caixa de chocolates com recheio de caramelo, és a música que canto e não me sai da cabeça. És os vidros embaciados e uma canção de embalar. És a almofada que abraço, o som que sufoco e o grito. És o grito. Que explode na minha garganta e voa livre no céu frio. És a gargalhada infantil que me provocas. És a doçura do açúcar que trazes nos lábios. És os arrepios que o teu toque me causa. És lágrimas de felicidade e olhares cúmplices. És amor, paixão, carinho, amizade, alegria, felicidade e euforia.
E és o amarelo da flor que sobreviveu ao frio do Outono.

21.11.12

segunda carta que te escrevo


Sinto a tua falta quando não estás, quando não te sinto comigo. Quando me abandona aquela sensação calorosa de ter alguém, ou quase, alguém para que sou uma pétala em vez de um espinho como sempre fui tratada. Estás no orvalho frio destas manhãs de Novembro, nos vidros embaciados do autocarro cheio, na almofada em que acordo, nos bocejos e olhos lacrimejantes daqueles a quem o sono ainda não abandonou. Estás comigo, mas não em mim; seguro-te pela mão, ou és tu que me seguras? És meu? É cedo, eu sei; demasiado, demasiado cedo para me entregar, mas porque não? Fazes tudo parecer tão fácil.
Quero ver-te, quero sentir-te comigo outra vez, quero ter-te perto. Quero que me sorrias e quero ouvir as tuas gargalhadas, ter o teu toque mesmo que por poucos segundos, quero assegurar-me que és real, que isto não é apenas um sonho das noites inacabáveis, quero sentir-me como me fazes sentir, quero provar felicidade de novo, o nervosismo que me invade quando caminhas para mim, e sinto-me derreter, a cair, cada vez mais, neste poço sem fundo.
E quando penso que o feitiço me abandonou, ou não passou de ilusão, aproximas-te devagar e apertas-me contra ti, como tanto me vejo imaginar, como tanto me vejo querer, as tuas mãos nas minhas costas e os teus lábios contra a minha pele, não me magoes, temos tempo, vamos tentar?

18.11.12

primeira carta que te escrevo


Tens o poder de fazer as minhas pernas latejar quando o teu olhar encontra o meu. Aqueces-me o coração como chocolate quente num dia de Inverno, e é bom. É confortante, apazigua-me a alma e tranquiliza o pensamento. Os teus braços em meu redor deixam-me estática com emoção, o corpo que quero abraçar, sentir-me protegida outra vez, começar de novo. 
Estás tão perto e eu afasto-me, com medo de me magoar, de te magoar, tu que és tão frágil, não aguentaria ver-te sofrer. Segura-me junto a ti, perto, mais perto, os teus lábios quase nos meus, tua respiração no meu rosto e fiquemos assim, sem mais nada, trocas de olhares e sem pronunciar uma palavra, porque não há nada que os olhos não digam.
Um arrepio invade-me cada centímetro do corpo quando pronuncias o meu nome, e deixo-me derreter nas tuas palavras doces, caramelo e baunilha numa dança improvisada, o teu toque nas minhas mãos e as bochechas coradas, as covinhas amorosas e a barba por fazer, consigo recordar cada uma das tuas feições com nitidez, porque a tua imagem ficou gravada na minha mente desde o primeiro dia em que vi, imagem que deixa saudade quando te vais, imagem que me enfeitiça, porque me escolheste? Tenho medo, é demasiada felicidade, não ma tires, não ma tirem. Deixa-me tê-la, e ter-te também, mas com calma, temos tempo. Vamos caminhando devagar, os dedos entrelaçados ao de leve, uma canção de amor, quero ter calma, cuidado, tento não cair, não aguentaria a queda.
Oh, mas tropecei logo que me sorriste.