17.4.13

só mais uma vez

Toda tu és brilho.
Ofuscas por quem passas, 
Por mais beleza que possua.
Porque possuis mais que beleza,
E mesmo na mais profunda tristeza
Os teus olhos sorriem,
Sorriem como puros que são,
Olhos sem maldade
Nem falsidade.
São olhos de uma vida,
De um barco à deriva,
De uma amiga,
Calma mas destrutiva
Só para si mesma.
Mas não te magoes.
Nem mesmo só mais uma
Vez.

Bebi o veneno 
Que transportas
No teu ser.
Bebi para não te ver morrer.
Porque nenhuma dor se assemelha
À de te ver partir.
Fica,
Porque o mundo sem ti ruirá.
Sem a tua alegria cá
Nunca mais irá o sol aparecer.
Fica,
Porque te quero ver...
Nem que seja só mais uma
Vez.

Dá-me a tua dor
Porque já não te posso ver sofrer.
Prefiro morrer,
Entregar-me às trevas, desaparecer,
E procurar-te por lá,
Na vaga esperança
De te encontrar,
De te abraçar
E de te trazer para casa.
Para onde pertences,
Meu anjo,
E se isso acontecer,
Brilharás um pouco mais
Enriquecida de experiência
E cegar-me-ás, mas 
Só mais uma 
Vez.

11.4.13

2


Hoje acordei com a nossa música na cabeça, como se ma sussurrasses ao ouvido, com eu tanto gostava que fizesses. Mas quando, mais tarde, tento lembrar-me da tua voz, não consigo. Não me esqueci de ti, mas não me consigo lembrar, já não, e isso mata-me. Não me lembro de como soa o teu riso, ou a que sabem os teus beijos, não me lembro do teu toque. As pequenas coisas que me faziam amar-te desvanesceram-se no vento durante os seis meses que se passaram. Então, explica-me por favor, qual o porquê deste sentimento que me agonia? Se não te recordo, não te deveria sentir, muito menos amar. Então diz-me, por que razão te sinto em cada pulsar do meu coração, aquele que tu quebraste? Esclarece-me esta dúvida, que me bloqueia a garganta, que me impede de respirar: que direito tens tu, de viver em mim, se não tencionas voltar?
Eu não me esqueci. Lembro-me de quando andámos de barco. Lembro-me das fotografias que não gostavas de tirar. Lembro-me das constelações de sinais que achava nos teus braços. Lembro-me de odiar quando cortavas o cabelo, de gozar contigo e chamar-te Justin Bieber. Lembro-me da tua guitarra e de nunca teres tocado para mim, de ouvir a tua banda preferida em altos berros e de como parecias amar aquele teu gato ainda mais do que me amavas a mim, eu, que me achava o teu mundo, mas será que era? Ou foi tudo uma ilusão? Será que estava tão cega de amor que inventei um amor que me devolvias? Alguma vez me amaste realmente, ou foi tudo um sonho de olhos abertos?
Sabes que dia é hoje?

1.4.13

escuros lápis de cor

Sorrisos e traços numa folha
preta de limpa
branca de suja
Suja com falsa pureza
Limpa com verdadeiro azedume
todo ele dotado de beleza

Gargalhadas e desenhos num papel
amarrotado de seco
liso de encharcado
Seco com lágrimas pesadas
Encharcado com crianças embaladas
por mentiras e emoções falsificadas

Amor e pinturas numa tela
cheia de nada
vazia de tudo
Nada com o colorido que nego
Tudo com as cores de um fogo
apenas vistas pelo maior cego